Requião desafia deputados a construÃrem um novo modelo econômico para o Brasil
29/10/2009 18:13:00
Com a participação do Governador Roberto Requião e do Secretário do Emprego e Relações de Trabalho do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, a Assembleia Legislativa do Paraná realizou nesta quinta-feira (29) o Encontro Regional Sul Sudeste. O even
Com a participação do Governador Roberto Requião e do Secretário do Emprego e Relações de Trabalho do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, a Assembleia Legislativa do Paraná realizou nesta quinta-feira (29) o Encontro Regional Sul Sudeste. O evento contou com a presença de aproximadamente 80 deputados de diversos estados, tendo como principal foco, o debate de Estratégias de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas.A abertura foi feita pelo Presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus. Em poucas palavras, Justus deu as boas vindas aos participantes e passou a palavra ao presidente da UNALE, deputado Clóvis Ferraz (BA). Eleito presidente da entidade no começo de 2009, Ferraz falou sobre a necessidade de aprofundamento do tema e a importância para a economia nacional.
Já o Governador Roberto Requião, escolheu falar sobre as raÃzes do modelo estadunidense após a Segunda Guerra e que, segundo ele, teria contribuÃdo para gerar uma crise econômica global sem precedentes.
“Na Conferência de Bretton Woods, fixa-se o dólar como moeda universal, garantido por depósitos em ouro no famoso Forte Knox. Vencedores do conflito, os EUA incorporam a ciência e a tecnologia da humanidade, vendem idéia da propriedade intelectual, das leis das patentes. Quando fui senador, presenciei a votação, em BrasÃlia, da lei da patente brasileira, numa madrugada, sem quorum. Segurei a aprovação da lei por dois anos e meio, nas Comissões de Constituição e Justiça e de Ciência e Tecnologia. Mas ela acabou aprovada. Com as patentes, os EUA estabelecem altos preços para o acesso à ciência, à tecnologia”, afirmou o governador.
Requião também falou sobre a mudança de paradigma, ocasionada pelo neoliberalismo e que também atingiu o Brasil “Só não estamos uma situação tão ruim porque as reservas internacionais são em dólar. O Brasil tem mais de US$ 200 bilhões em estoque. Mas as ideias neoliberais derrubaram o capitalismo americano. Da ideia inicial de valorizar trabalho e capital produtivo, passou a se valorizar o capital vadio, especulativo, nas bolsas que viraram cassinos, causando crises e desempregando milhões de pessoas da noite para o dia”, destacou
O governador do Paraná aproveitou a oportunidade para falar dos Ãndices de seu governo, ressaltando a alta no nÃvel de empregos, a reforma tributária no Estado e os programas sociais, uma das marcas de sua administração. Ao final da palestra, Requião aconselhou os parlamentares a repensarem a forma como o Brasil vem sendo gerido. “Vocês têm um dilema e uma única opção, ou constroem uma nação ou ficam à mercê do mercado especulativo. Querem construir um paÃs para nós ou um paÃs para os outros? Um Brasil Nação ou um Brasil Mercado? Não se percam em detalhes. Tenham em mente o conjunto da sociedade brasileira”, concluiu.
Para Afif, Governo Federal não pode “eternizar” programas de transferência de renda
Em sua palestra, o empresário Guilherme Afif Domingos, Secretário do Emprego e Relações de Trabalho do Estado de São Paulo, retomou as primeiras lutas em defesa das micro e pequenas empresas no começo dos anos 80, no perÃodo do então Ministro Hélio Beltrão. “Tive a oportunidade de ser um dos primeiros empresários a apresentar uma proposta especÃfica para as micro e pequenas empresas, desonerando a carga tributária e facilitando o acesso ao mercado, o que acabou tendo a primeira regulamentação em 1984”, explicou.
Afif fez um contraponto à legislação atual, frisando que a Constituição legisla somente para as indústrias de grande porte. Tudo porque sua aplicação rÃgida não contempla as necessidades das micro e pequenas empresas. "Desrespeitar as caracterÃsticas dessas empresas cria barreiras que impedem seu desenvolvimento no Brasil. Elas merecem tratamento diferenciado", opinou.
O Secretário também falou sobre os programas de transferência de renda que pautam a agenda do Governo Federal. Segundo ele, projetos como o bolsa famÃlia são importantes, mas não podem ser eternizados. “Precisamos ensinar a pescar, ensinar as pessoas a realizarem negócios como já estamos fazendo em São Paulo com o bolsa auxilio”.
Criado no final de julho pelo Governador José Serra, o bolsa auxilio pretende ofertar 40 mil vagas para cursos profissionalizantes gratuitos com bolsa-auxÃlio de R$ 210 por curso para desempregados com idade entre 30 e 59 anos, que não estejam recebendo o seguro-desemprego e possuam o ensino fundamental incompleto. “Temos milhões de trabalhadores com capacidade criadora e que podem ter o seu próprio negócio. A primeira ajuda é importante, mas eternizar um programa de transferência de renda é atravancar o progresso desse paÃs”, finalizou.
O deputado Artagão Junior (PR), 3º vice presidente da UNALE, avaliou de forma positiva a participação dos parlamentares. Segundo ele, as abordagens foram pertinentes e contribuÃram de maneira significativa para amadurecer o empreendedorismo individual no paÃs. “Acredito que as palestras foram atrativas na medida em que possibilitou a ampliação do debate e, de maneira especial, foi fundamental para todos os parlamentares, a possibilidade de implementar idéias e sugestões aqui apresentadas e discutidas dentro de seus estados. O tema escolhido foi bastante propÃcio ao momento e certamente, será possÃvel legislar com mais conhecimento de causa sobre empreendedorismo”, destacou. Por Edson JuniorJornalista MTb 13205